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terça-feira, 6 de junho de 2017

O Inferno de Mantega - Política


O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, no centro das acusações da Operação Lava-Jato, afirmou que tem medo de ser preso e que os delatores que citaram seu nome, como o empreiteiro Marcelo Odebrecht, criam “ficções” para conseguir fechar um acordo com a Justiça. Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, o mais longevo ministro da Fazenda do Brasil, no cargo de 2006 a 2014, contou detalhes sobre o dia em que teve a prisão decretada no ano passado, enquanto acompanhava a mulher que trata de um câncer no hospital.
Na ocasião, ele foi acusado de ter pedido R$ 5 milhões ao empresário Eike Batista para saldar dívidas de campanha. Após saber que o ex-ministro acompanhava a esposa no hospital, o juiz Sérgio Moro revogou a prisão. “Depois disso, nunca mais fui chamado [pelas autoridades]. Sempre tive um relacionamento distante com o Eike. Estava cuidando da minha mulher [Eliane], que tem um câncer com metástase e faz todos os tratamentos possíveis, com quimioterapia, radioterapia, e que neste dia faria uma cirurgia. Nós tínhamos entrado no hospital [Albert Einstein, em SP] às 5h. Eram 7h quando recebo um telefonema da minha casa dizendo que a polícia estava lá, com o meu filho de 15 anos”, relatou o ex-ministro.
Mantega disse ainda que atrapalhou os planos de Marcelo Odebrecht ao defender, em 2009, um veto a uma lei que dava à empreiteira anistia sobre débitos tributários. Para ele, essa seria uma prova de que não dava “moleza” para o empresário em troca de contrapartidas. “Eu estava atrapalhando os planos deles. Eu não estava ajudando”, afirmou.
Questionado sobre o motivo pelo qual o herdeiro da empreiteira baiana inventaria isso contra ele, correndo o risco de perder os benefícios da delação premiada, Mantega disse que para conseguir uma delação “tem que entregar pessoas do alto escalão do governo. Um ou dois presidentes [da República] e um ou dois ministros. De certa forma é uma exigência. E aí fala do ministro sem provas”.
Citado também pela empresária Mônica Moura, que afirmou ter tratado com ele sobre pagamentos para a campanha eleitoral, o ex-ministro disse que algumas vezes foi abordado por ela se queixando de que estava faltando dinheiro. ‘Eu respondia: ‘Fala com o tesoureiro do partido. Eu sou o ministro da Fazenda, eu cuido da economia do país e não dessa questão. Eu me sinto terrível porque minha reputação foi colocada por água abaixo. A repercussão foi péssima, péssima. Passei a ter problemas em restaurantes, no hospital. Não posso ter uma vida normal. É uma humilhação ser chamado de ladrão. Eu poderia ter começado a dar palestras, consultorias. Criei um nome lá fora, fiz o Brasil ser respeitado. E acabei jogado nessa vala. A essa altura dos acontecimentos, depois de trabalhar tantos anos para o governo, depois de ter tantos resultados, eu não esperava. Realmente eu não esperava”.
Por fim, o ex-ministro relatou que teme ser preso, especialmente por causa da saúde da mulher e diz esperar “que a Justiça faça justiça”.

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